Diferença entre Canalha e Cafajeste

Atendendo a pedidos, vez ou outra recuperarei alguns posts antigos do blog.

Resolvi resgatar esse em específico, pois tenho recebido bastantes comentários dizendo que eu não sou um cafajeste. Concordo que a palavra é forte e prefiro a alcunha de “Cafa”, mas há uma confusão entre nós e os canalhas.

Vamos às principais diferenças:

1-) O canalha transa com uma garota e sai contando pra todos os seus amigos pra tirar vantagem e a descarta da sua lista. O cafajeste transa, conta só pra seus amigos mais chegados, mas mantém contato com a garota. Afinal ele pode precisar dos seus favores quando estiver na seca;

2-) O canalha sai beijando todas que vê pela frente na balada. É muito legal ficar disputando com os amigos quem beija mais (afinal seu cérebro parou de se desenvolver aos 14 anos de idade). O cafajeste escolhe uma só, a mais interessante. Fica com ela a noite toda, troca até contatos, porque se não sair do lugar pra transar com ela, vai transar num outro dia;

3-) O canalha não sabe tratar bem uma mulher. É grosso, mal-educado, destrata pessoas humildes ou empregados como prova de superioridade. Quanto menos ele gastar com uma mulher, melhor. O cafajeste sabe quando e que intensidade agradar. Compra chocolate, bichinhos-bonitinhos-de-pelúcia e leva a restaurantes bacanas, com o único objetivo de fazer a mulher se sentir valorizada e assim alcançar seu objetivo, sexo;

4-) O canalha é burro. Seu senso crítico limita-se a análise do gol mais bonito da semana ou de qual a mais gostosa do Big Brother. O cafajeste sabe se virar em qualquer assunto, se é necessário discutir sobre a moda da estação na frente de mulheres ele vira um estilista,  se a garota é fã de Chopin ele se torna um frequentador de concertos;

5-) O canalha adora aparecer. Estufa o peito na frente das mulheres, faz piadas prontas, é o amigão de todo mundo e só sabe contar vantagem. O cafajeste é discreto, ele não precisa de auto-promoção, o boca a boca é feito pelas próprias pessoas que estão ao seu redor. Ele se adapta ao ambiente de acordo com a ocasião;

6-) O canalha mente. O cafajeste omite;

7-) O canalha não sabe elogiar (ou xavecar, como se diz em sampa). Quando o faz é tão ruim que se torna uma cantada de pião, “uau, que gata!”, “que delicia”, “o la em casa”. O cafajeste sabe elogiar os pontos-chaves da mulher, “nossa, lindo o seu cabelo”, “que sorriso”, “você emagreceu?”;

8 -) O canalha não sabe cuidar de mais de uma mulher. Acaba confundindo nomes, esquece de falar com uma, dá mais atenção pra outra, e por ai vai. O cafajeste sabe tratar todas por igual, quando não está a fim de sair com uma ele liga ou manda uma mensagem “bonitinha” pra não perder contato. E mesmo que a mulher saiba que ele é um cafajeste, ele a faz crer que é especial e que pode rolar algo sério;

9-) O canalha deixa pista. Seu Facebook é cheio de fotos abraçando mulheres, no Instagram é um festival de foto de balada e marcas de bebiba, como se uma garrafa de Johnnie Walker qualificasse caráter. Seu celular está cheio de mensagens comprometedoras e vídeos sujos de alguma garota de 15 anos fazendo oral em um pirralho acéfalo que divulgou o vídeo na internet.  O cafajeste não deixa rastro, seu Facebook só tem foto com amigos e família, talvez uma ou outra garota, mas sem foto sugestiva. O Instagram possui fotos mais artísticas, mostrando estilo ou bom gosto. O celular nunca tem vídeos ou fotos comprometedoras;

10-) Canalha é  substantivo, cafajeste adjetivo.

Sexta das leitoras – Pau Camarada

“Tenho 35 anos, ruiva, magra, estou na segunda graduação, tenho facilidade em fazer amizades e me relacionar no trabalho, mas em se tratando de relacionamentos amorosos, estou sempre enrolada, querendo compromisso, mas ao mesmo tempo fugindo disso.

Estou há 9 anos solteira, morei junto com meu último namorado e depois disso nunca mais gostei verdadeiramente de alguém. Ao me separar dele, fiquei 1 e meio sem sexo até ficar com um amigo em comum nosso, que fiquei e foi de primeira, a “amizade colorida” durou 7 anos.

Cafa > Olha, se você é esse avião todo que anuncia, chama-me a atenção ter ficado 9 anos solteira sem gostar de ninguém. Tudo bem que o mercado está ruim, mas é impossível não encontrar alguém bacana por tanto tempo.

Eis que ano passado, sou apresentada ao aplicativo Badoo. Eu que me considerava a moderninha, racional e cheia de preconceitos com quem fica com cara comprometido.

Cafa > Ave-maria dos apps, o que você esta(va) fazendo no Badoo? Essa coisa é o risca-faca dos aplicativos. Entrei uma vez, pois meu amigo disse que era o app mais fácil pra comer mulher, sai em dois dias pela quantidade de spam, gays (fingindo ser mulher) e exus que encontrei por lá.

Entre as primeiras perguntas já descobri que ele tinha namorada (mais ou menos 1 ano de relacionamento), de momento já pensei em cair fora, mas estava numa fase que necessitava de uma “amizade colorida”, e nesse sentido ele seria o cara ideal. Ele tem 28 anos, um corpão de academia e adora sexo, como eu.

Cafa > Cara, “amizade colorida” diz muita coisa na primeira palavra, “amizade”. Normalmente surge de um carinho mútuo, de assuntos afins, pensamentos em comum, etc e termina na cama. No seu caso foi o inverso, deixou-se levar por um corpo/putaria para depois pensar em amizade, e de bônus o cara tem a delicadeza de dizer que é comprometido. Como um ser desse pode ser amigo? A não ser que você esteja no mesmo nível que ele. Você necessitava de sexo e viu no garotão a solução do seu problema fisiológico. Nesse caso, o cara nem “Pau amigo” seria, e sim um “Pau camarada”.

Acho que conversamos por umas 2 semanas até que fui a cidade dele (30 km daqui) encontrá-lo e fomos para o motel. Pensei em desistir no caminho, por medo mesmo de o cara ser um louco…mas, no caso, a louca era eu, enfim, paguei para ver.

Cafa > A diferença é que se você é a ~louca~ e tenta fazer algo contra a vontade dele, o cara te dá uma marretada. Agora se o cara é o ~louco~, pode obrigá-la a comer merda (isso já rolou). E sem papo cansado de machismo. Mulher é mais fraca fisicamente que o homem e por isso mais suscetível a riscos.

Não estou falando para pagar de santa e dar depois de 5 encontros, mas tenha um pouco de bom senso e marca o encontro em um bar. Óbvio que o cara pode fingir ser uma boa pessoa, mas já reduz bastante o risco.

Chegando ao motel eu não sabia o que fazer, ele também ficou constrangido, mas logo tomou as rédeas da situação. Ao final até pensei, foi bem “meia-boca”, acho que não vai mais acontecer, mas em seguida ele manda mensagem dizendo que gostou de me conhecer e que queria repetir.

Cafa > Provavelmente se vocês fivessem um warm up no bar, no motel a coisa sairia um pouco mais natural e melhor.

Uns 5 meses depois descubro pelo face que a namorada dele estava grávida, em seguida ele veio me contar, todo bobo que iria ser pai. Mas claro, continuaríamos com o caso. Para ele a desculpa para trair ficaria ainda melhor, já que ele dava a entender que a namorada não curtia muito sexo e algumas coisas que ele adorava (como dar uns tapas na cara, transar em lugares inusitados e um sexo oral caprichado)

Cafa > Que emoção. Você abriu um champanhe com ele pra celebrar? Chorou ao saber que agora que a mulher tem filho, ele vai ter mais tempo de te dar tapa na cara enquanto a mãe nina a criança? É bom comemorar pequenas conquistas.

Enfim, nesse 1 ano e meio de rolo, já tive a fase apaixonadinha, esperando ele mandar msg, cobrando isso dele…coisa que ele fazia quando bem entendia…sempre com a desculpa que ela estava marcando em cima e tal…

Meses atrás ele estava tão de saco cheio da vida dele, que até falou “se fosse em outros tempos, ia te convidar para morar comigo”. Não levei em consideração a observação, uma porque isso seria fora de cogitação pra mim, não tenho vocação para corna.

Cafa > Não, tem vocação pra amante de motel.

A corna está construindo algo (por mais incerta que a relação possa ficar), e você está a passeio na piroca. Se esse é teu objetivo, ok, mas pra se importar tanto com o cara, tenho dúvidas.

Só queria que ele fizesse o verdadeiro papel de um “amigo colorido”, que apesar de ser só sexo (eu também aceitei assim), que tivesse respeito, conversa, carinho. Esse seria o “pagamento” pelo que ele diz que eu faço e a mulher não. Tão difícil assim??

Cafa > Hahahaha. O respeito do teu “Pau Camarada” ficou lá no Badoo, a conversa e o carinho ele te dá no motel. Se você não está satisfeita com esse “pagamento”, vai ter que ser mais direta com o cara. Talvez ele melhore, mas romantismo com amante é botão soneca do alarme, aperta-se de vez em quando para ela parar de berrar.

Outro dia ele escreveu exatamente isso: “não entendo como você fica sozinha. É bonita, trabalha, tem sua vida, transa bem”. Coisa que me fez pensar: “é estou desperdiçando tempo com o cara errado”, mas mesmo assim, continuei nessa, me desvalorizando.

Quando deu 1 ano de rolo, resolvi colocar um ponto final, disse que não queria mais, ai o cara disse: “agora que você não quer, parece que estou mais louco”. Carência vai, falta de sexo vem e voltamos a nos encontrar. Depois da última vez (1 mês atrás), fiz como ele sempre faz, some por uns dias. Agora ele fica me enviando msg, quer saber o que aconteceu..

Cafa > Para. Se você está carente, come um chocolate, se busca sexo, baixe o Tinder ou o Happn e faça seu catálogo de PC´s. Está perdendo tempo com um traste.

Ah, e delete essa porcaria de Badoo.

Eu não gosto dele, a ponto de querer namorar e tal, aliás, o “acordo” nunca foi esse. Queria me livrar dessa situação, que me causa mais mal do que bem. Mas, na hora da carência acabo cedendo, aceitando as migalhas que ele tem para me oferecer.

Minha psicóloga diz que fico com ele porque pra mim é melhor um cara comprometido, pois não preciso me envolver (segundo ela, fujo de compromisso). E, afinal de contas, ele está sempre atrás, pra ele é cômodo ter a mulher e a amante, quando quer.

Se a finalidade é ter sexo, pelo menos isso deveria ser extraordinário, mas temos sempre o tempo contado, ele morre de medo da mulher. Mas diz que faço coisas que ele gosta e que ela nunca faria.

Cafa > Tua psicóloga deve ficar biruta. Tá difícil entender o que você quer da vida. Ok, não quer namoro. Apenas carinho, conversinhas fofas e mais tempo para trepar, certo? Ou seja, você quer o melhor de uma relação estável (atenção) e o melhor de uma relação casual (não compromisso). Vem aqui que vou te falar uma coisa no ouvido: isso não existe com homem comprometido… A atenção ele vai dedicar pra mulher (e agora pro filho), enquanto pra você sobra a cama.

Sempre que uma amiga me conta uma história parecida eu digo “aproveita o sexo e enquanto de fizer bem”. Ou seja, até não se apegar.. mas quando a história é com a gente….

Racionalmente sei que esse caso não me levará a lugar nenhum, e ainda por cima, morro de medo de a mulher descobrir e eu sair por vagabunda. Porque nesses casos, as próprias mulheres são machistas, o cara é o garanhão traindo, e a amante é a vagabunda. Mas quem é o comprometido na história???

Cafa > Isso é uma fantasia. Eu não acho nada de garanhão, esse cara é um tosco.

Sempre gosto de recorrer ao dicionário em casos de problemas com adjetivações. Vamos ver o que nos diz o dicionário sobre “Vagabunda”:

“Aquela que possui modo de vida considerado amoral, embora não viva da prostituição; Designação de um tipo de formigas que toma conta das casas em busca de açúcar”.

Bom, você não é uma formiga atrás de açúcar, tampouco vive de prostituição. Porém possui modo de vida considerado amoral. Logo, vagabunda é uma definição correta gramaticalmente. Não se ofenda.

Não justificando, me sinto mal nessa situação, mas se é que a versão dele é verdadeira, ela até merece uns chifres, pois, com 2 meses de gravidez não transou mais com ele…Mas, a idiota aqui sim, e vou dizer, apesar de tudo, gostei da experiência.

Cafa > Pronto, agora baixou a paladina da justiça. Quem é você para julgar que a garota merece tomar chifre por que não trepou grávida com o cara? Li certa vez que algumas mulheres grávidas perdem a vontade de transar.

Sei que mereço algo melhor, alguém que possa pelo menos passar uma noite comigo. E que metade da culpa é minha, por permitir desde o início que ele me trate assim.

Cafa > Putz, a situação tá preta pra ti. O merecer algo melhor é alguém que pelo menos possa passar uma noite contigo? Faz quantos dias que você vai à psicóloga mesmo?

Por vezes, me sinto uma idiota nessa situação, mas ao mesmo tempo, não consigo sair dela. Nesse meio tempo não apareceu ninguém bacana, ou pelo menos não percebi. Tipo aquela história: “enquanto não aparece o cara certo, me divirto com os errados””.

Cafa > Você deu a resposta em duas frases nessa última estrofe: “ou pelo menos não percebi” e “enquanto não aparece o certo, me divirto com os errados…”

Você não está se divertindo com oS erradoS e sim com O erradO. E ai começa o teu problema. Você pelo visto fechou os seus canais de contato pra ser a amante do cara. Assim como o amigo colorido anterior.

Se você só sai com ele, como pode conhecer outros? Não é saindo sempre com o errado que o certo vai cair no teu colo. É tentativa e erro. Saindo com vários, numa hora o certo aparece. Saindo com um (comprometido), numa hora a esposa aparece.

Ela queria um casual-sério

Foram poucas as mulheres que conheci nesses anos de estrada que conseguiam adotar uma postura racional em uma não-relação. Bastava que os encontros ficassem um pouco mais frequentes (ou que a garota dormisse em casa) para que as cobranças surgissem e fosse exigido um compromisso que não existia.

A Giovana era uma dessas garotas. Ela foi uma das minhas primeiras funcionárias, entrou bem crua na empresa e ajudei-a bastante com alguns toques sobre carreira. Nossa relação era estritamente profissional até que ela foi para outra empresa e nos encontrarmos em uma festa de colegas em comum.

Apesar de não ser o meu tipo, ela tinha certo charme, sabia se vestir, escrevia muito bem e tinha assunto. Naquela festa ela contou a sua experiência na agência que estava e fiquei muito feliz em saber que crescia e ganhava respeito por lá. Enchi-me de orgulho e pela primeira vez me deu vontade de prova-la em uma relação de igual pra igual. E acabou rolando.

Festas de publicitário normalmente rola bebida até nego ficar grogue e estávamos mais ou menos naquele ponto. Depois do papo sério que tivemos, cada um foi para o seu canto dançar (mentira, eu fui beber e conversar com amigos) e algumas horas depois nos encontramos na cozinha. Ela estava bem alegrinha e começou a me agradecer por ter dado a oportunidade pra ela lá atrás e tal. Eu não resisti e enquanto ela falava, encostei o meu lábio no dela (eu não podia dar um beijão de cara sem ter certeza que ela queria também). A garota ficou muda, nos olhamos por dois segundos, me deu um suor, mas ela passou sua mão atrás da minha nuca, puxou minha cabeça e demos um puta beijo que já me deixou no ponto. Fomos pra minha casa e tivemos uma noite de sexo incrível.

E assim começou um não-relacionamento de quase um ano. Era o mundo perfeito, quando ela estava a fim, me mandava mensagem, se desse ela vinha em casa, se não marcávamos para um dia que os dois podiam. E eu fazia o mesmo. Sem stress, sem cobrança. Era uma companhia agradável não só na cama, mas também de conversa.

Imagino algumas leitoras mais românticas questionando “Ai, por que vocês não namoraram?”. Já falei em um post do blog antigo, simplesmente não rolou o “click”. Gostava da companhia dela, assim como gostava de outras com quem eu saia. Não tinha nada que batesse o sino “é ela!”. Fazendo uma analogia barata, é como comida japonesa. Adoro, mas não dá pra comer apenas japonês, pois gosto de árabe, vietnamita, tailandesa, etc. Ela não era um PF.

Após alguns meses nessa dinâmica, a Gi começou a romper as regras de uma não-relação. Certo dia encontrou um cabelo preto no sofá (ela era loira) e me questionou de quem era. Eu não gostaria de falar que possivelmente de alguma garota que eu não lembrava nem o nome, apenas disse que da Dona Du, minha faxineira na época. Ela não acreditou, eu fiz cara de bunda e ela emburrada pelo resto da noite.

No aniversário de um amigo em comum, ela estava bêbada e me puxou em um canto pra conversar. Questionou-me por que eu tinha ficado com a Gertrudes, uma ex-cliente da minha agência, já que ela era “feia e tinha mau gosto”. Dei risada, ela não. Sai andando. Foi inevitável fazer uma comparação com a primeira vez que ficamos e percebi que era o momento de começar a ver a Gi com menos frequência.

Os poucos encontros que tivemos após aquela DNR (discussão de não-relação) tiveram mais cobranças e questionamentos. Tentei explicar de forma educada que não erámos namorado, mas nessas horas as mulheres gostam de citar exemplos aleatórios: “Eu não estou cobrando namoro, mas você já teve mais consideração por mim” (isso é, já dormimos com mais frequência), “Você ficou com uma pessoa que eu odeio” (como se esse fosse um critério eliminatório para eu ficar com alguém), “Você fala com menos frequência comigo no Whatsapp” (isso era verdade, mas porque ela que começou a falar demais).

O ápice foi na terceira festa que nos encontramos e ela novamente bêbada começou a falar para todas as pessoas que nos conheciam que ela era muito grata por tudo o que eu tinha feito, que ela tinha uma consideração que transcendia o profissional, etc. Aquilo chegou nos meus ouvidos por umas 5 pessoas diferentes em forma de piada. A Gi tinha passado do ponto e era o momento de eu recolher as velas e tocar o barco em frente.

Infelizmente, o contato que tínhamos antes do beijo ficou estremecido e desde então nunca mais nos falamos. A Gi queria um casual-sério, eu perdi uma amiga.

Sexta das leitoras – Apaixonada pelo urubu

“Sou formada, faço uma pós graduação, estudo francês, trabalho, tenho 26 anos, morena, não muito alta ( não sou atoa, e tenho objetivos…vai imaginando aí), e estou solteira há 4 anos. Sempre fui uma pessoa muito tranquila, caseira, digamos “para casar”, já curti muito e acredito até que na minha adolescência aproveitei bastante, e depois do meu ultimo relacionamento (que durou 4 anos) eu tive aquela fase de pegadora, mas agora estou aberta a conhecer alguém para coisa séria.

 

Cafa > É, você tem um ótimo currículo. O “problema” disso é que quanto mais estudamos e amadurecemos, mais filtros surgem e naturalmente você vai se tornando a maçã do topo da árvore e não é qualquer animal que consegue alcança-la. Não importa o quão visível você está na árvore, boa parte vai se contentar com as que estão no chão ou mais acessíveis.

Infelizmente, no seu caso parece que um urubu apareceu. Na real nem sei se urubu gosta de maçã, mas vamos supor que ele gosta de bica-la .

 

Em dezembro do ano passado, fui a um restaurante próximo ao meu trabalho, e vi um rapaz entrando no local, e quase que instantaneamente eu me apaixonei (sim, passei a acreditar em qualquer coisa a primeira vista), ainda cheguei a brincar que eu estava apaixonada, que ele era o meu número, e claro que o físico e a aparência eram as únicas referencias até o momento, pois bem, cheguei no trabalho e a imagem daquele rapaz não saiu da minha cabeça; Obvio que passei a ir todos os dias no mesmo restaurante;

 

Cafa > Sei como é isso. Acho que é um instinto que herdamos lá do tempo das cavernas. Não precisa de diálogo, pelo porte e aparência já desperta algo dentro de nós. Porém, mesmo com o advento da fala, alguns homens parecem que só saíram das cavernas, mas a caverna não saiu deles.

 

Um belo dia quando cheguei na fila ele estava lá na minha frente, meu pobre coração quase pulou pela boca, dai pensei: agora lascouuuu, estou mesmo apaixonada! Por sorte uma amiga que trabalhava comigo estava cumprindo o ultimo dia de trabalho dela, mas ela já tinha trabalhado com ele na mesma empresa, e ela, em um gesto de bondade, me passou a informação mais importante até então : o nome dele.

Em posse dessa informação recorri ao Facebook e achado o perfil dele passei a olhar sempre, para “conhecer” e também para tomar coragem de me aproximar, daí então um belo dia tomei umas três doses de coragem e mandei uma mensagem daquelas “ahh te vi lá, sabia que era você, bom te ver por aqui…blábláblá”

 

Cafa > Hahaha, “bom te ver aqui”. O seu forte não é o approach, né? Nesses casos adicionar o cara no Facebook é melhor. De qualquer forma, funcionou a sua estratégica, então tá valendo.

 

uns 30 minutos depois ele respondeu (pulei uns 10 metros no meu quarto e meu coração quase sai pela boca),

 

Cafa > Hehehe, lembrei desse vídeo https://www.youtube.com/watch?v=gaZyiBHeWq4

 

e para completar a felicidade ele logo me adicionou ( eu pensei:se ele se interessar ele vai me adicionar, Bingo!), como era um sábado a noite, nós trocamos apenas algumas mensagens e fomos conversar mesmo no outro dia, aí o papo fluiu já pelo whatssapp, fluiu uma conversa na segunda, na terça, na quarta nós nos encontramos no restaurante, só que dessa vez o cenário mudou: ele me notou, e na tão esperada sexta feira fomos almoçar juntos (quase morro de nervoso), e o mais interessante é que tudo foi tão natural que até apelidinho nós já estávamos dando um ao outro; Saímos para almoçar na sexta e no mesmo dia marcamos de sair para jantar no sábado, após o jantar rolou o convite para o apartamento dele, pois os pais estavam viajando, eu fui mas consciente de que não ia rolar nada, só beijos e muitos amassos, e a essa altura eu estava muito apaixonada.

 

Cafa > Mulheres são curiosas, como vocês podem apaixonar-se tão fácil sem nunca ter ido pra cama? Sei lá, pra mim o sexo/química tem um peso imenso na relação.

 

Dias depois o já esperado por mim aconteceu, aquele bom e velho sumiço…os papos já não estavam acontecendo com a mesma frequência mas ainda continuamos nos vendo quase todos os dias. Em um período de 3 meses mais ou menos, eu o procurava e nós almoçávamos, ficávamos, e nesse meio tempo ele também me procurou. Ficamos nesse jogo, e eu apaixonada e confusa com tudo isso!

 

Cafa > Entendo o cara, ele gosta de conquistar. Atingiu o objetivo e pelo visto, na visão dele, a bicada na maça não foi tão boa assim para querer seguir adiante e comê-la.

 

Por fim, depois de um tempo ausente (uns 3 meses), dias atrás ele resolveu renascer das cinzas como uma fênix confusa e sem atitude, só que agora tinha um pequeno detalhe, em um evento com os amigos, um deles marcou ele em uma foto, e na foto ele estava com uma garota que logo deduzi ser uma namorada (ou potencial), só ele me chamou para almoçar, e novamente conversamos, rimos, ninguém pegou no celular (raro nos dias atuais, e foi tão legal como no 1º encontro)

Após me deixar no trabalho, pela tarde eu mandei uma mensagem agradecendo a companhia do almoço, daí o papo durou até bem tarde, mas coloquei ele contra a parede e nessa descobri que ele realmente está comprometido ( “/ ), mas na conversa eu deixei claro que não comigo não rolaria assim, e do outro lado ele tentando me convencer que não há problema nenhum em estar namorando e conhecer outras pessoas, que isso é normal e que ele acha que deve escolher a pessoa certa, que a pessoa certa poderia ser eu, blábláblá… daí eu sugeri então que fossemos amigos, mas olha a merda: continuo apaixonada!

 

Cafa > Credo, que novela mexicana, quanto lugar-comum. Vamos por partes:

Ele – Esse papo de “ser normal conhecer pessoas” pode até ser verdade caso ele tenha uma relação aberta. Porém, pela frase seguinte ele se contradiz ao falar  “conhecer a pessoa certa”. Esse tipo de coisa não existe em relação aberta, já que a pessoa que ele está namorando supostamente seria a certa, e o cara só sairia com outras para variar o cardápio e não para apaixonar-se. Ele foi bem amador e mau caráter.

Você – Dá uma preguiça esse “sugerir sermos amigos”. Quando uma garota fala isso pra mim, eu concordo e na sequência a apago da agenda. Tenho amigos suficientes para cuidar.

 

Cafa, sou super racional, e as vezes até demais e até me considero esclarecida da situação, é até meio hollywood a menina vê o rapaz, apaixona, e na vida real ele some porque ela não liberou (hahahaha)…

 

Cafa > Mulher intitula-se racional até a segunda página do livro do relacionamento. Basta encontrar o Mr Right e já está fazendo um monte de besteira e choramingando pelos cantos.

Sobre você não ter liberado de primeira, não acho que seja o motivo pelo qual ele se afastou. Provavelmente os beijos e amassos não foram bons (pra ele) que desse vontade de investir.

 

mas não sei o que acontece que não sinto vontade de afastá-lo de mim, com outras pessoas eu já iria dizer que fulano é um babaca sem caráter e simplesmente o tiraria da minha vida, mas com esse daí não, não sei o que esse disgramado fez… e ser a “outra” nessa situação não combina comigo, além do mais, vai de frente com o que acredito (ou que a sociedade acredita, enfim…), sempre respeitei todo e qualquer relacionamento e mesmo sendo ele, não consigo que seja diferente.

 

Cafa > Você tinha um estereótipo na cabeça do canalha, um cara tosco, sem modos e escrúpulos. Ai conheceu um cara gato, inteligente, trabalhador e carinhoso e o teu cérebro entrou em colapso. Só que por mais que ele tenha várias qualidades, é um cara que trai sem pudor e quer te fazer de amante.

 

Me diz aí, o que acha disso tudo? ele é só um aprendiz do aprendiz de cafa, ou o melhor a fazer é largar de mão?”

 

Cafa > Não é aprendiz de Cafa, pois o cara está chifrando a namorada (por mais que eu tenha pagado a língua nesse aspecto, eu nunca mantive relações em paralelo com o namoro, foram escapadinhas pontuais. E que eu não me orgulho). O urubu está mais pra canalha profissional.

Se você estivesse em outro momento da sua vida, eu iria sugerir que curtisse o momento, porém está apaixonada e esse cara apenas quer bicar. E se fosse “a garota” ele não sumiria por tanto tempo e não falaria aquela asneira de “encontrar a pessoa certa”. Isso não se fala, apenas acontece, e não aconteceu. Cai fora.

________________________________________________________________________________________________

Quer mandar a sua história para a sexta das leitoras? Não posso garantir que responderei todas, mas se for algo interessante e resumido, as chances aumentam. É só enviar para cafa@manualdocafajeste.com

Rapidinhas do Cafa – parte 2

Agora a segunda e última parte das minhas Rapidinhas.

Leitora: Desde o primeiro beijo bateu uma sintonia incrível, moramos em cidades diferentes (45 min de distância) e há em encaixe em tudo. Não existem brigas nem desentendimentos. Depois de 1 mês, apresentada para sogros, cunhados, amigos e todo ciclo de clientes, passam um final de semana perfeito juntos, ele deixa em casa fazendo planos pra vida e no outro dia simplesmente ignora. Quando se “explica” diz que não vê futuro com você e que quer ficar sozinho. Agora, ele está namorando novamente, e fez com a moça tudo que fez comigo.

Cafa > Provavelmente ela foi aprovada no filtro social, você não. Os amigos e/ou família viram algum defeito em você que o cara cego pela paixonite não tinha observado e o alertaram. Veja bem, não estou falando que você é uma má pessoa, mas talvez não tenha algum atributo que o círculo dele valoriza. Tive o mesmo problema com uma ex, mas ignoramos o fato. E bem, foi questão de tempo para ser um mais um peso contra o nosso namoro.

Leitora: É tão anormal para os homens uma mulher não sofrer de curiosidade? Não sou curiosa e isso aos olhos de algumas pessoas parece fora dos padrões! Veja bem curiosa e não com falta de interesse em determinadas particularidades

Cafa > Putz, depende muito. Esse “não é falta de interesse em determinadas particularidades” tá muito genérico. Não tem coisa mais chata que sair com uma mulher e ela não se interessar por nada que o cara fala (desde que ele não fale apenas groselhice) e não fazer perguntas. Fica praticamente um monólogo e parece que a pessoa é desinteressante. Uma coisa é ser alcoviteira, a outra desinteressada. Como sempre, vale o bom senso.

Leitora: homem tem medo de mulher solteira bonita, sem filhos e bem resolvida depois dos 34 anos? Estou com dificuldades de encontrar rapazes da faixa etária 30-39 que queiram algo sério então passei a me divertir com os gatinhos mais novos ou então mais velhos… Rola uma certa insegurança? Tem muita mulher neurótica/desesperada por ai nessa faixa etária ?

Cafa > Que homem tem medo de mulher “solteira, bonita e sem filhos”? Só um mongol. O ponto que me chama a atenção aqui é o “bem resolvida”. Normalmente mulher que se qualifica como tal é uma tremenda chata equivalente àquelas que colocam o signo como sua descrição.

Outro ponto, por ter muita experiência, as balzacas acham que já sabem tudo de relacionamento/sexo e querem sempre cagar uma regrinha (eu me incluo nesse grupo também), são cheias de manias e ideias fixas. Como bônus, na faixa dos 35 muitas estão buscando estabilidade (o que envolve casar e ter filho), mas muitos homens não. Como a mulherada de 25+ tem maturidade, gosta de homens mais velhos e a maioria não pensa em casar/filho, esses caras tendem a buscar mulheres nessa faixa.

Leitora: Dicas criativas para o famoso chat clássico do Tinder: oi, tecla de onde? O que vc faz? De onde vc vem?

Cafa > Espera-se que o cara puxe conversa inicialmente, mas prometo que não baterei mais nesse ponto. Já tô chato. Um approach que eu gosto é quando alguém pergunta onde a minha foto “x” foi tirada, ou então elogia os lugares. O problema é se o cara só tem foto de frente para o espelho ou sem camiseta. Não rola elogiar o gel do cabelo, a corrente de prata ou o tanquinho. O sorriso é um bom caminho, foge do comum.

Leitora: Numa balada, o que o atrai em uma mulher? Como que uma mulher se destaca das demais para você?

Cafa > Por mais que isso pareça gay, a roupa. Aquele vestido justo (mas não menino-me-coma) e estiloso chama muito a atenção no meio de um monte de gente igual. Uma sombra e maquiagem bem feita também ajudam um bocado. Por fim, eu gosto de um bom perfume, apesar que isso não chama a atenção inicial, mas deixa uma boa marca no pós.

Leitora: Namoraria uma mulher que transa com você no primeiro encontro? Como encara isso?

Cafa > Hoje eu encaro isso como uma questão de idade/maturidade. Lá pelos 25 eu tinha preconceito com mulheres que liberavam de primeira, hoje não. Óbvio que eu não namoraria uma garota que eu conheci na balada e transei no banheiro. Agora se já rolou uma conversa prévia e a garota gostou de mim pela minha essência e não aparência, não vejo problema.

Leitoras: Se você fosse mulher,quais lugares frequentaria para conhecer pessoas bacanas com possibilidades de um namoro?

Cafa > Normalmente a chance de encontrar pessoas interessantes está em lugares que possuem afinidade com teus gostos. Ok, você pode falar que ama sertanejo, mas vamos descartar baladas, pois definitivamente não é o melhor lugar pra conhecer potenciais namorados.

Veja quais são os seus hobbies. Por exemplo, eu curto vinho e mergulho. Costumava frequentar alguns cursos de degustação e embarcava finais de semana para mergulhar em excursão. Infelizmente nesses dois hobbies só dá velho e homem, respectivamente, mas já conheci algumas garotas interessantes perdidas por lá. Se você gosta de correr, porque não buscar grupos de corrida no Facebook que correm juntos no Ibirapuera, por exemplo?

Leitora: Como enxerga uma mulher que não divide conta com um cara que ela está saindo, se conhecendo? Acha que ela é uma folgada, ou esse papel é do homem?

Cafa > Já falei disso aqui.

Leitora: Um cara que realmente se importa com a garota e vê um futuro com ela, consegue não perguntar e nem querer saber absolutamente nada sobre o passado dela?

Cafa > Consegue e isso chama-se maturidade. Como eu disse anteriormente, tive a fase do passado, presente e futuro. Quando tinha 18, eu morria de medo do passado das mulheres e se descobria que era mais movimentado que feira no sábado, eu dispensava a garota; com 25 eu não me importava tanto com o passado e mais com o presente. Se a garota liberasse pra mim na primeira noite, demonstrava que era uma safada e eu não a levava a sério; Hoje, eu me preocupo com o futuro. Se temos afinidade, rolou um sexo incrível e é uma pessoa que admiro, o que me importa é como ela caminhará comigo dali pra frente.

Leitora: Conheci um cara no tinder e saímos duas vezes, nas duas fomos para os finalmentes e mantemos contato quase todos os dias. Quero convida-lo para sair pela terceira vez, posso ou devo esperar uma atitude dele?

Cafa > Vai em frente

Leitora: Até que ponto você acha que se deve levar uma relação com um cara que diz não querer nada sério?

Cafa > Primeiro que não há uma “relação” com alguém que não quer nada sério. Você vai ser mais uma peguete até ele se encher (ou você) e parar de te procurar. Muito difícil alguém que fala abertamente que não quer nada a sério mudar de opinião depois.

Leitora: O cara que eu fico as vezes sempre me chama pra ir pra casa dele. Já ficamos, mas n rola uma frequência, então não tô à vontade pra ir, nem pra fazer sexo. (Nao rolou sexo ainda). Como eu digo isso sem parecer que quero algo sério? ?? N aceito esse tipo de convite se não nos virmos com mais frequência. Como n parecer desesperada?

Cafa > “As vezes sempre” hahahahaha, adorei. Pimpolha, você não tem 16 anos. Ir para o restaurante apenas para olhar o menu não rola. Ou você senta e come, ou não entra. Se não se sente confortável com a possibilidade de rolar sexo (e esse cara deve estar louco pra transar contigo), saia mais vezes em lugares públicos. Você não precisa declarar sua condição, é meio juvenil. O ponto é que se ele for um cara mais velho, não vai ter paciência para te esperar pra sempre.