Confissões masculinas

Dia desses estava na praia conversando com meus novos amigos brasileiros (que também moram na Austrália), quando invariavelmente surgiu o assunto “mulher”.  Um deles namora (a distância), um está solteiro e o outro parece assexuado. Já eu estou quase seguindo o mesmo destino desse último, mas isso é assunto pra outro post.

O que namora havia convidado uma amiga (vou chamar de Lucinda) para apresentar ao solteiro. Aquele típico blind-date que tem tudo pra dar errado. Estávamos em quatro homens, na praia e ela viria sozinha.

Lucinda apareceu e logo me veio na cabeça à capa da Revista Brazil ou uma personagem das “Brasileirinhas”. Se vocês não conhecem, é só ir no Google imagens pra saber do que estou falando (apenas cuidado com quem estiver ao seu lado). Ela era um personagem.

Chegou enrolada em uma canga da bandeira do Brasil. Tento entender essa mania. Não acho que é uma forma de demonstrar patriotismo, assim como vestir a camiseta da seleção pra viajar. Acredito que essas pessoas indiretamente querem mostrar aos “gringos” aquilo que a marca do nosso país é conhecida no exterior. Ou seja, mandamos no futebol e nossas mulheres são gostosas e calientes. Acontece que hoje nosso futebol é uma piada, praticamente nenhuma craque joga no Brasil e quando joga pela seleção é uma grande merda. E sobre carimbar “sou gostosa e caliente” me parece uma tentativa desesperada de chamar a atenção pela forma, já que o conteúdo não ajuda. Mas ok, voltemos à história.

Após nos cumprimentar, Lucinda bancou a recatada. Havia um grupo de suecas do nosso lado. Elas não trajavam o último biquíni da estação, mas também não estavam com a calçarola da vovó. Estavam ok. Porém, Lucinda disse estar constrangida já que seu traje de banho era pequeno. Bancamos os falsos e dissemos que estávamos na praia e ninguém ligava. Ela não pensou duas vezes e ao tirar a bandeira do Brasil, foi nossa vez de ficar constrangidos.

A parada era muito pequena e a menina tinha uma bunda de tanajura. Não era algo sexy, mas completamente vulgar/tosco. Seria algo proporcional a um cara muito forte e bundudo usando um short extra pequeno e grudado no rabo.

Olhamos uma para o outro em silêncio e demos aquela levantada de sobrancelha, mas nem precisava falar para saber o que pensávamos. Ela deitou de bruços e começamos a conversar.  Lucinda começou então a (tentar) fazer seu filme.

Disse que estava cansada dos gringos, que eles não tinham pegada, que brasileiro era muito melhor e tal. Detalhe que ela havia namorado um alemão por 8 meses, mas ela não sabia que homem também é fofoqueiro e já sabíamos um pouco sobre seu histórico.

Lucinda seguiu com suas contradições e queimando o filme. Baixou a síndrome de vira-lata e deitada na bandeira do país começou a criticá-lo e enaltecer a Australia, o típico assunto que broxa qualquer pessoa com o mínimo de senso crítico. Nesse momento o solteiro perguntou se eu estava a fim de dar um mergulho. Disse que sim, mas obviamente eu não entraria nem morto, pois é gelado pra cacete. Era mais pra trocar uma ideia sobre a personagem.

O cara é mais novo, tinha uns vinte e dois anos de idade. Comentou que estava frustrado com a menina e eu tive que ensiná-lo que na idade dele dificilmente vai encontrar a mãe dos seus filhos, ainda mais na circunstância que estávamos. Além disso, o cara estava na seca há mais de seis meses. Era a oportunidade mais fácil para tirar o atraso. Voltamos para a areia, o cara puxou um papo qualquer com a menina, pegou seu Facebook e naquela mesma noite eles dormiram juntos.

Dia seguinte, de volta à praia, ele nos contou detalhes da noite, o que já era uma evidência que a garota definitivamente seria apenas mais uma na lista. A menina era um capeta na cama e demos boas risadas com algumas falas.

Após uma hora na praia, a garota apareceu por lá (dessa vez sem ter sido convidada) e sentou ao lado do nosso amigo. Ela usava uma biquíni maior, mas na minha opinião tão ridículo quanto o outro. Esse tinha aqueles penduricalhos (tipo babadinho) no peito e lateral. Feio pra burro.

Ela tentava ser simpática e se metia em todos os assuntos, mas acabava sendo cansativa. Não pude deixar de notar que volta e meia ela fazia um carinho no cara, que não retribuía. Passou um tempo e ele me chamou pra ir no mar, ela se auto-convidou e fizemos cara de bolinho.

Eu parei assim que aquela água de geladeira alfinetou os dedos do meu pé. Meu amigo sugeriu para garota entrar, que ele iria na sequência. Assim que ela se afastou, desolado ele me perguntou ao melhor estilo Sexta das leitoras invertido: “Cafa, o que faço?”.

Falei que ele precisava ser racional e não analisar apenas aquele inconveniente isolado, mas o todo da situação. Ele não tinha nenhuma mulher na mira, por mais inconveniente e abobada que a menina fosse, o sexo era de razoável pra bom. Então seria melhor aturar uma chicletice ou outra, pois o faturamento compensava o custo do produto. Ele estava no lucro.