A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.

Tentei manter a regularidade das postagens aqui, mas a minha casa/vida virou a Praça É Nossa nas últimas semanas. Alguns dias depois que meus pais foram embora, meus sogros chegaram para fazer uma visita quase surpresa. Como eu nunca os tinha visto pessoalmente, tive que dar uma atenção maior e minha rotina foi para o saco de novo.

Recentemente tenho estado um pouco reflexivo e introspectivo, parece que vida tem demorado a me dar presentes, ultimamente só pago boletos.

Como alguns de vocês sabem, abandonei a estabilidade no Brasil para me arriscar na Austrália, que funcionou por determinado tempo, mas teve seu fim. E agora tento novo recomeço em Barcelona. Os três primeiros meses não foram fáceis.

Antes de vir pra cá, tirei férias no sudeste asiático para recuperar a energia. Como viajei com empresas baixo custo e estava mochilando, não podia carregar muito peso, então em Novembro tive que despachar minha mala de navio de Sydney para Barcelona. Assim que pus meus pés em território espanhol, em Janeiro, tomei uma porrada do frio. Carregava comigo apenas uma mochila e uma jaqueta de couro inútil. Minha mala só chegou na Espanha semana passada, 6 meses depois do despacho, e ainda está presa na alfândega.

Como não tínhamos encontrado lugar pra ficar, acabamos na casa de (quase) amigos por um mês. Nos dois meses seguintes vivemos uma vida de cigano. Depois da casa dos quase amigos, fomos parar em uma semi-república dividindo apartamento com um casal venezuelano esquisito e duas americanas porcas.  No mês seguinte paramos em um apartamento em que morava um casal ok e um árabe picareta e avarento que batizava com vodca os vinhos das mulheres que ele levava pra casa e na manhã seguinte devolvia o vinho que não foi tomado de volta pra garrafa.

Quando finalmente conseguimos encontrar uma casa não compartilhada, quase caímos duro com o estado que os últimos inquilinos a deixaram (não pudemos fazer vistoria antes). Era tão nojenta que quase pedi meu depósito de volta, mas ao pensar em toda via sacra passada dos últimos meses, apenas solicitei que o proprietário contratasse uma empresa de limpeza e desse um jeito naquilo. Algumas coisas foram arrumadas, outras nem tinha como.  A pia da cozinha, se você abre muito a torneira toma-se um banho de pombo, a casa é tão pequena que se peido na cozinha, acordo minha namorada no quarto. O chuveiro precisa que o ralo seja limpo de vez em quando, pois do contrário no final da semana o box vira a piscina do Gugu e acumula uma chumaço de cabelo molhado nojento.

No último mês, depois de bater muita cabeça, arrumei trabalho numa multinacional que parece uma torre de Babel. É gente do mundo inteiro, das mais diferentes histórias de vida e perfis. Obviamente paga-se bem menos que muito trabalho ordinário na Austrália e exige muito mais, seja de capacitação como de dedicação.

Olhando essa descrição, a minha vontade é de pegar o primeiro voo e voltar para o Brasil. Porém, nesses momentos é preciso ter sangue frio e pensar racionalmente.

Li recentemente uma frase de Carlos Drummond bastante apropriada para esse momento: “A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional”.

Olhando em outra perspectiva, esses últimos meses não foram ruins.

Fizemos uma viagem inesquecível pelo sudeste asiático. Chegamos na Espanha e nos surpreendemos com a hospitalidade de pessoas que não tinham motivo algum para nos receber e ainda assim nos trataram como se fossemos da família.

Nossa vida em república não foi um mar de rosa, mas vivenciamos histórias hilárias e piadas que levamos pra vida, além de ter vivido em diferentes bairros de Barcelona e conhecer a cidade melhor.

Nosso apartamento é pequeno, mas fica a 1 minuto da praia, em um bairro pequeno e charmoso que todo mundo acaba se conhecendo e de fácil acesso aos principais pontos da cidade e trabalho.

Falando em trabalho, por ser uma torre de babel, pratico espanhol, inglês e francês o tempo inteiro, o que em breve me fará poliglota. O salário não é bom, mas a perspectiva de crescimento é enorme e as minhas contas são pagas.

Atualmente, minha vida não é maravilhosa e está longe do que eu planejava, mas eu ainda olho pra trás e tenho orgulho dos tropeços e conquistas. Sem dúvida, a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional.

Relacionamentos imperfeitos

Antes de tudo, desculpem pela demora em postar. Meus pais vieram me visitar aqui em Barcelona e isso somado à minha rotina de trabalho maluca, não tive tempo para escrever.

A vinda deles trouxe uma explosão de sentimentos, que só décadas de convívio podem explicar. Por muito tempo tive uma relação complicada com meu pai e um endeusamento da minha mãe, uma dinâmica que me trouxe alguns problemas existenciais que só com terapia pude resolver. Porém , o passado não vem ao caso e sim a reflexão que o relacionamento deles me trás.

Já disse aqui uma vez, meu pai não teve muita oportunidade quando pequeno, nasceu em um família sem muito recurso e educação , teve que ralar horrores pra ter uma vida confortável. Minha mãe também não nasceu em berço de ouro, mas junto com meu pai, construiu uma relação e história admiráveis. Não pela perfeição, pois os dois foram (e são)  bastante imperfeitos, mas na forma como driblaram as dificuldades e souberam crescer dentro das suas limitações. Por vezes me perguntei como eles ainda estavam juntos, mas na imperfeição deles, eles se entendem.

Isso me faz refletir sobre meus antigos relacionamentos e o que eu esperava deles. É óbvio, nunca nivelamos por baixo e aceitamos o pior das pessoas. Sempre queremos alguém com a melhor das qualidades e aquilo que é ruim (no nosso ponto de vista) tentamos arrumar. Eu cansei de desejar uma boneca perfeita e o que ganhava era uma relação superficial e cheia de aparências.

As vezes olhamos pro lado e pensamos “humm, talvez aquele cara seja mais interessante que meu namorado”, mas ele também terá seus defeitos. O que eu considero o mais importante aqui é o conjunto da obra, foda-se se ele gosta de jogar videogame ou que ela não lava a porra de uma louça. Um relacionamento é construído no cuidado com o outro,  assisti-lo na dificuldade, pensar em dois, não usar relacionamento como muleta, mas uma escada.  Na minha opinião, na vida precisamos chegar em um lugar melhor, não sobreviver.

Voltando aos meus pais, eles chegaram a se separar depois de velho. Tiveram as suas aventuras nesse período e depois reataram. Contando isso as pessoas falam “ai que fofos, eles são um casal perfeito”. Não são.  Brigam, discutem pra cacete e falam um mal do outro. Só que no final do dia, eles se importam um com o outro.

Quando eles estavam no começo do namoro, meu pai deu um chaveiro pra minha mãe com a seguinte frase “Con tus defectos te quiero, sin tus defectos te extraño” (que seria “com seus defeitos te amo, sem eles tenho saudade”). Acho que ela define bem o que devíamos esperar de um relacionamento saudável, não perfeito.

Dia das leitoras – Caída pelo vocalista

A história da leitora dessa semana não é nova, mas volta em um assunto que vejo cada vez mais recorrente entre mulheres com anos de relacionamento estável e poucos de solteirice, a vontade de provar o desconhecido.

 O relacionamento fixo pode estar aparentemente perfeito, tudo funciona, até que um dia aparece um completo desconhecido para abalar a estabilidade e por em jogo o plano de juntar escovas de dente.

 Vamos lá:

“Poderia ser um e-mail para revista “Capricho”, “Todateen” e todas essas revistas que ajudam mocinhas inocentes acreditarem em seu mundo rosa. Posto que, prestes a completar 27 anos, fui surpreendida por uma imaturidade, loucura, obsessão, crise de existência… não sei que merda aconteceu, vamos ao que interessa.

Em Fevereiro desse ano, fui a show de uma banda antiga, que atualmente voltou a tocar, banda que fez parte da minha adolescência e carrega em seus trechos altas lembranças. Com a mudança do vocalista, estava curiosa para ouvi-los tocar novamente, marquei com algumas amigas e fomos a um barzinho tomar uma, e matar a saudade da banda, até ai, sem novidades.

Antes de começar o show, avistei um cara extremamente gato, e quando o carinha abriu um sorriso, senti meu corpo gelar (não é clichê, para dar emoção, ou para tentar tornar o ato cinematográfico ou ilusório) foi real, na hora quis saber quem ele era, eis que o moço dos dentes perfeito, pega o microfone, sobe ao palco e começa a cantar… sim, ele é o novo vocalista! Não escutei nenhuma música, fiquei ali presa no sorriso e em cada detalhe do ser perfeito.

Após o show minhas amigas resolveram que era hora de tietar e foi para perto do palco tirar fotos e falar com os antigos integrantes da banda, eu fui, sem nem sentir minhas pernas, quando dei conta, já estava abraçando o senhor “Colgate” que por sinal, extremamente atencioso, carinhoso, simpático e humilde (eu torcendo para ele ter bafo, desodorante vencido, tatuagem com nome dos filhos rs, e ele não tinha nada disso, estava tão cheiroso que parecia que saiu do banho naquele momento) merda feita, voltei para casa sem falar uma palavra, apenas com vontade de reencontra-lo.

Mês seguinte, lá estava a “tal” banda no mesmo bar, e minhas amigas loucas para ir curti o som novamente (acho que aqui, é o ponto que preciso dizer, que namoro a 10 anos, e estamos reformando uma casa, para juntarmos as escovas de dente o ano que vem, sem muita relevância ele é um cara bacana, companheiro, ótimo amante e até esse dia, eu estava feliz, satisfeita e segura do que queria) sexta de vale night com as amigas, lá estávamos curtindo o showzinho, eu mais monga que Anastasia  do 50 tons,  fiquei ali enchendo a cara, olhando tudo aquilo que jamais teria oportunidade de ter em minhas mãos, fim do show, mesma tietagem, um abraço apertado e um aperto na cintura que quase perdi o ar, voltei para casa, comecei a seguir o “famosinho’ no Instagram, e o mesmo começou a me seguir de volta, alguns “directs” trocados, alguns “likes” apenas isso, e desde então não consigo parar de pensar nele, preciso sair com esse cara, eu não posso casar com isso na cabeça, sempre fui tranquila, tive outros relacionamentos e estava segura. Agora você já ficou louco por alguém? estou assim.

Cafa > Já aconteceu várias vezes. Duas viraram namoradas, umas cinco amantes e todo o restante one night stand. As primeiras viraram ex, as cinco só deram dor de cabeça e o restante eu mal me lembro dos nomes. Então, por experiência própria, ficar louco por alguém não necessariamente é um bom sinal. Esse sentimento intenso na maioria das vezes desaparece depois da primeira noite ou com a convivência. E quanto mais emoção estiver envolvida, menos racionais ficamos e mais chance de dar merda.

Sobre o meu relacionamento, conheci meu namorado por uma amiga em comum, isso em 2006, apenas em 2008 começamos a namorar.

Nossa relação, sempre foi tranquila e estável, passamos pela faculdade sem crise ou término, aguentamos intercâmbios, sem crise ou término.  Sempre tivemos o nosso espaço, cada um sempre foi livre, para ir e vir, sem questionamentos e com respeito (falo isso por mim), sempre fui louca por ele, mesmo com todos esses anos, e sempre fui bem correspondida em todos os sentidos, ele sempre me fez bem e estava feliz até o bendito dia do show.

Sempre fui fiel e acredito que ele saiba mentir bem rs, levando em conta atual situação do mundo rs, nunca fui atrás para saber e nunca fui a doida ciumenta rs, sempre deixei bem claro, a vida é uma só, apenas não se esqueça, que existe a lei do retorno e você tem que saber lidar com isso. Ademais, meu relacionamento sempre foi ótimo, parece impossível, mas não carrego críticas ou sugestões, é ótimo e como já reiterado, estava feliz.

Sentimento atual, preciso sair com o “Colgate”, não consigo pensar ou sentir outra coisa, apenas que essa loucura está ganhando grande parte da minha vida é ridículo, e se fosse com qualquer amiga minha, já teria dado um tapa na cara dela e mandado virar mulher e parar de fantasiar asneira com alguém que pode ser um idiota de sorriso bonito.

Cafa > Eu olhei as fotos do cara e vídeos. Ele é boa pinta, parece educado e foge do padrão de vocalista estrela de banda famosa, mas é aqui que mora o perigo. Por fugir do padrão estrela, ele deve atrair um bocado de mulher igual a você e não acredito que ele tenha pretensão de levar alguma a sério (mas isso é um achismo).

De qualquer forma, também não está claro que você espere algo sério, mas digamos que você aceite viver essa fantasia. E ai, além de ser um cara super bacana ele te  vira do avesso. O que acontece? Você volta pra casa, apaga ele da cabeça e começa a pensar na decoração da sua nova casa? Não. Como diria minha vó, você arrumará uma sarna pra coçar.

Planos para o futuro?  Preciso da sua resposta, logo após um “porre” (quem sabe nesse fds rs) e decidir, jogo tudo para o alto (não tenho medo de arrependimento e nem do prejuízo material) e vou atrás do sorriso bonito, ou continuo na vida estável, feliz e perfeita, sempre com a maldita lembrança do sorriso do Sr. Colgate rs.

Cafa > Calma, a minha resposta não pode ser o plano para o seu futuro. Apenas quero que você pense com a cabeça um pouco fora d´água.

Eu não me canso de falar aqui no blog sobre mulheres que namoraram por quase toda a casa dos 20 anos e depois ficam cheia de “ses” em relação a outros homens. Veja você, não tem queixas em relação ao namorado e possui um plano de vida que a maioria das mulheres solteiras na sua idade inveja.

Se você analisar racionalmente, a sua opção é bizarra. De um lado tem um relacionamento perfeito e um namorado bacana, do outro um cara bonitão e famosinho que pode proporcionar bons momentos. E o que você tem a perder renunciando cada um deles? Um plano de vida e uma aventura. Talvez seja melhor ter a maldita lembrança de não ter curtido uma aventura a ter renunciado algo maior. Não?

Bom, mas a vida não é tão racional e preto no branco como imaginamos, certo? Então vamos imaginar novamente o cenário que você espera. Joga tudo pro alto, vai atrás do cantor e de repente a coisa evolui para um relacionamento sério. Ai depois de uns anos você encontra outro cara mais atraente e volta a pensar “hum, e se eu jogar tudo pro alto e viver um romance com esse?” Vai por mim, esse ciclo não tem fim. Sempre haverá um homem mais atraente que o que você está.

Cafa, eu não sei, não imagino o que sua sensatez ir responder, apenas quero deixar claro,  caso haja a possibilidade de você sugerir que eu vá atrás do vocalista rs forneça elementos para que eu o faça, tendo em vista que você já deve ter saído com alguma leitora (fã), o que ela fez para chamar sua atenção?

Cafa > Calma, agora você apertou todos os botões do teclado. Vamos por partes:

caso haja a possibilidade de você sugerir que eu vá atrás do vocalista rs forneça elementos para que eu o faça

Cafa > Primeiro você precisa definir o que quer da vida.  Se imaginar que construir uma família, viver junto e tal é cedo ou te aborrece, então o ideal é você ficar um tempo solteira e não colocar as fichas em um vocalista fofo de banda. A chance de quebrar a cara é gigante. Termine com o namorado, curta um pouco o vocalista e vai conhecer o mundo e ter certeza do que quer.

tendo em vista que você já deve ter saído com alguma leitora (fã), o que ela fez para chamar sua atenção?

Cafa > Eu tinha uma grande peneira inicial. Tal qual o Tinder, eu selecionava essencialmente pela aparência. Depois vinha um filtro mais refinado que era a afinidade, admiração, inteligência, etc. Nesse poucas passavam. E como eu disse, raras viraram namoradas, algumas amantes e centenas one night stand. Nessa estatística, a chance de você entrar nos dois últimos grupos do vocalista é enorme. É isso o que você quer? O que você quer?

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Quer mandar a sua história para que eu (talvez) comente e publique? É só enviar para cafa@manualdocafajeste.com; Caso queira manter o sigilo e ter certeza que sua história será comentada contrate o Cafa Responde (máx de 2 páginas / arial 12).

Relacionamentos falidos, até que a morte os separe

Lá na casa dos 20 anos, a acomodação em um relacionamento parece algo distante, que acontece na idade dos nossos pais. Porém, a verdade é que nos 30 ela já assombra um monte de relacionamento. Particularmente de dois anos pra cá eu conheci uma cacetada de casal acomodado vivendo uma relação falida.

Um deles me intrigava. É um ex-colega de trabalho que também morava na Austrália e “juntado” com uma russa. Ele é chef em um restaurante e ela psicóloga, ambos na casa dos 35/40. O cara é um batalhador, nasceu na miséria no Brasil, mas correu atrás, estudou e hoje tem uma estabilidade bacana; ela teve mais oportunidade na vida e foi pra Austrália transferida de uma multinacional na Alemanha. Eles se conheceram há três anos em um desses aplicativos de relacionamento e depois de alguns meses já estavam morando juntos.

Não sei qual foi a atração mútua (talvez sexual), mas parece um casamento de uma garça com um burro. Ela delicada e educada (não que uma garça tenha educação, mas deu pra entender, né?), ele um brutamontes teimoso. Nunca vi uma troca de carinho, elogio ou palavra de admiração. Pelo contrário, sempre que saíamos de casal, eles brigavam ou tinham opiniões conflitantes. Quando saíamos apenas os homens, ele azarava a mulherada. E não era uma coisa discreta ou apenas um comentário de “olha essa gostosa”, era algo bem pedreirístico e ofensivo. Eu perguntava por que ele simplesmente não terminava e aproveitava a sua solteirice, ele dizia que ia tomar uma decisão em breve, mas nada acontecia. E até hoje nunca aconteceu.

No segundo caso, algumas semanas depois que cheguei à Espanha, minha namorada e eu alugamos um quarto em um apartamento que dividíamos com um casal venezuelano na faixa dos 30. A garota era bastante boazinha, mas parecia que namorava uma negação, ele não tinha expressão, não trabalhava, não cozinhava, não montava a mesa, não lavava um copo. A coitada fazia tudo para ele e nenhum elogio tinha em troca. A comida ficava pronta e ela gritava da cozinha “Orr” (de Orlando) e as vezes ele fazia malcriação, pois queria comer no quarto e ela insistia para que fossem pra sala. Certa vez o bebezão não quis jantar, pois a empanada pronta que compraram tinha cebola e ele não suporta o tubérculo. É um cara boa pinta e atlético de 28 anos, mas suas atitudes eram de um adolescente mimado e bobo.

Não colocarei aqui todos os casos, mas como eu disse, foram muitos. Parece que as pessoas depois de certa idade tem medo de ficar sozinhas e ai caminham a vida arrastando a corrente de um relacionamento moribundo.

Eu nunca fui fã de cerimônia católica de casamento, aquele ritual brega, exagerado e caro pra casar em uma igreja onde o padre repete um monte de lugar-comum e frases bíblicas sobre o matrimônio. Cansativo, repetitivo e inútil. Porém, certa vez fui a um casamento anglicano, em que o padre não era um mero ventríloquo, falava coisas autênticas. Uma me marcou bastante. Logo no final da cerimônia ela repetiu o bordão “até que a morte os separe”, mas complementou que a morte não necessariamente seria a do corpo, mas (e principalmente) a do sentimento. O dia em que o respeito e consideração pelo outro não existisse mais, essa seria a morte e a separação o caminho.

Por um mundo com menos correntes arrastadas, mais sinceridade, até que a morte os separe.

Dia das leitoras – Caçando um P.A.

(antes do post, preciso fazer uma breve introdução)

Dia desses fui almoçar com a minha namorada e uma ex-cliente que também está morando aqui em Barcelona.

Ela é uma colombiana gente boa, mas depois de um casamento de 5 anos, separou-se e agora está na pior. Obviamente a maior parte do tempo ela falou do cara e um pouco sobre a versão antiga do Manual (ela era leitora). Em determinado momento ficou apenas as duas fazendo comentários, tal qual o Casagrande e Arnaldo analisando o desempenho do Neymar em campo. A diferença é que eu estava do lado delas com cara de bolinho ouvindo análises .

Um ponto que me chamou a atenção foi o comentário que agora estou “politicamente correto”, sem a acidez de antes.

Tem duas coisas ai.

Primeiro, certo cansaço da repetição. Recebo centenas de histórias com o mesmo script: “saímos, curti, ele sumiu. E agora?” Tendo a não responder ou escrever sobre esse tipo de assunto, cansei de bater no cachorro bobo.

Segundo, e mais importante, estou mais velho e maduro. Até os 20 e tantos anos vemos a vida meio preto e branco, se não é bom, é ruim; se ele não quer namorar, é cafa; se ela sai com vários, é piriguete, e por ai vai.

Só que chega um ponto na vida que você percebe que há o preto carvão, o azulado, o branco creme, branco gelo, etc. Para uma situação ou pessoa, há várias explicações ou definições que isoladas são limitantes. O problema é que não dá para fazer uma análise completa apenas em algumas linhas e ai a coisa fica meio relativizada e então caio no “politicamente correto”.

Posto isso, hoje publico uma história um pouco diferente das que eu já recebi. (E dane-se se estou politicamente correto) =)

“Cafa estou desesperada, tenho 34 anos e namoro a dez anos um cara de 40. E ele está há 3 meses viajando, cuidando da saúde e eu fiquei na cidade cuidando dos negócios (somos sócios). Ele só volta talvez em um mês. E eu já estou subindo pelas paredes.

Cafa > Olha, entendo que é difícil ficar sem sexo por um tempo, mas o que são 3 meses na nossa vida? Nada. Se você ainda dissesse que ele não sabe quando volta, ok, mas porra o cara ta mês que vem ai. Vejo isso como uma desculpa para um problema maior na relação com o seu namorado. Já retomo isso.

Me tocar não rola mais.

Cafa > Não se toca, né? :´D

Eu preciso de um P.A e estou de olho em um cara que é concorrente nosso q é casado.

Cafa > Cara, jogo dos três erros aqui, você casada, ele casado e concorrente do negócio de vocês. Isso só tende a dar merda.

O cara não é bonito é mais velho e nos dá dicas sobre negócios, ele sabe da situação do meu boy e é o único homem q tenho contato sem ser meus funcionários, pois somos novos na cidade

Cafa > Você não explicou direito sobre o negócio, mas não me parece muito lógico/coerente um concorrente dar dicas para o adversário. Ou o cara é tonto, ou tem boi na linha.

Porque eu estou de olho nele ?

Por ser mais velho, casado eu acredito que ele seja discreto e tope ser meu P.A porque eu só quero sexo.

Cafa > Não caia nessa. Homem fofoca para seus melhores amigos o que rola na sua vida extraconjugal. Ai talvez o melhor amigo dele seja melhor amigo de outro cara que por sua vez é melhor amigo de outro, cai num exponencial e a chance de, em uma cidade pequena, cair na boca do povo é grande.

Eu poderia escolher qualquer outro da cidade, mas sou bonita e bem sucedida e tenho medo de ficarem no meu pé ou me difamarem. Sem contar que tenho preferência por homem mais velhos. Ele tem 48.

A questão é : devo ou não ser direta dizer que estou subindo pelas paredes e que preciso de um P.A será que ele vai dizer que sim ou vai correr ?! tenho medo de assustar ele e pior ele comentar isso com outros

Cafa > Acho que seria uma atitude bastante ridícula e arriscada. Você em nenhum momento considera como está a relação do cara com a mulher dele. E sim, ele pode negar e comentar em uma mesa de bar sobre o seu desespero (ainda mais considerando que são “concorrentes”).

Diga o que devo fazer ? Ser direta ou tento seduzi-lo ?

Ele é paquerador mas sempre foi muito respeitoso.

E na verdade Não quero seduzir ninguém porque eu não quero um amante, quero alguém para um sexo seguro e sem compromisso.

Cafa > ~tentar seduzi-lo~…Você está bem fora do mercado, né?

Primeiro vou responder sua dúvida de forma objetiva e fria.

Sua cidade é o pior lugar para trair seu marido. A chance de alguém descobrir é gigante, além disso não estou seguro que a relação que possui com o possível amante seja apenas de uma foda e nada mais. Se o cara te dá uma surra de pica, tenho certeza que surgiria uma relação extra-conjugal ai.

Se você não consegue segurar o fogo na periquita e apenas quer dar umazinha, pegue um fim de semana e hospede-se na maior cidade da sua região. Dias antes, baixe o Tinder, compre o plano pago, coloque fotos sem expor muito o rosto, configure a localização para buscar homem na cidade que ficará e comece a caçar. Chegando lá, marque de ir a um restaurante ou bar mais intimista com o selecionado. Não é um louco? Leve-o pra sua toca e acasale. Como você é bem sucedida e bonita, dinheiro para ir pra lá, ficar em um hotel e arrumar um cara não será problema.

Resolvido?  Na minha opinião, 1% do problema.

Seu namorado está mal de saúde e ao invés de pensar em visita-lo rapidamente para resolver o seu problema (e dar um apoio pra ele), pensa numa satisfação sexual momentânea. Em nenhum momento você fala que o ama ou alguma palavra de carinho. O texto resume-se a sexo, traição e poder.

Para chegar a esse ponto, a relação foi pro saco. Talvez você apenas a mantenha por causa dos negócios em conjunto. Então, ao invés de simplesmente sacanear o cara por ai, seria melhor segurar o tchan até ele voltar, conversar numa boa e dar um tempo nessa relação. Você mantem os negócios, não fica falada e pode transar por ai com mais tranquilidade.

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Quer mandar a sua história para que eu (talvez) comente e publique? É só enviar para cafa@manualdocafajeste.com; Caso queira manter o sigilo e ter certeza que sua história será comentada contrate o Cafa Responde (máx de 2 páginas / arial 12). 🙂