Certa vez pedi no Facebook sugestão de post para o blog e um assunto que teve bastante comentário foi para escrever sobre a vez que eu gostei de alguém e não fui correspondido e depois descobri o motivo.
Confesso que inicialmente o tema me pareceu um pouco bobo. Isso porque tenho minha autoestima mais elevada do que deveria e se gosto de uma garota, mas não sou correspondido, logo parto pra outra. É inútil chorar pelos cantos uma paixonite. Só que me dei conta que eu estava pensando apenas em casos superficiais em que basicamente a garota me achou feio, coxinha ou apenas um chato. Foi então que minha ex veio em mente. Nada como alguns anos para que uma relação seja analisada friamente.
Na época em que nos conhecemos, ela era antiga leitora, e na seção onde as leitoras podiam me adicionar no MSN (pelo menos não era ICQ), ela apareceu por lá e começamos a nos conhecer.
Ela não é muito fotogênica, mas o papo fluía bem e ignorei a questão da aparência, mesmo porque não havia nada de estranho nela. Como ela morava em outro estado, o nosso encontro foi apenas acontecer três meses após o primeiro contato online. E valeu a espera, pessoalmente ela era bem gata, rolou um baita encaixe de boca e o sexo foi incrível. Ela voltou para sua cidade e eu pensei comigo: “me fudi”.
Curiosamente o Orkut (pelo menos não era Fotolog) dela ainda tinha foto do namorado e muitas vezes ela simplesmente parava nossa conversa no meio, falava que precisava sair e sumia. Ignorei aquele fato e seguia conversando quando dava.
Fui umas duas vezes para a cidade dela e na terceira vez que ela foi para São Paulo, marquei jantar em um restaurante frufru e no final a pedi em namoro. Ela recusou dizendo que ainda era cedo e meu fim de semana foi pro saco.
Seguimos conversando por mais um mês e após esse período ela disse que recusou o meu pedido, pois tinha acabado um namoro recente, mas que estava envolvida comigo e blablabla e assim começamos a namorar de forma meio torta.
Com um ano de namoro eu mal conhecia a família e círculo de amigos, que na verdade eram evitados e quase sempre fazíamos alguma viagem para outra cidade, quando eu ia pra lá. Além disso, ela começou uma pós-graduação em São Paulo que fez com que quase todos os finais de semana eu não precisasse ir até sua cidade. Na época eu achei aquilo um sinal positivo e até conveniente de não ter que me deslocar, mas na real eu ficava ainda mais longe do seu círculo social.
O celular (que dá até assunto para outro post) era um grande mistério, eu não podia olhar pra ele que ela morria de medo. E foi ele o estopim para o nosso namoro acabar.
Na verdade, com a insegurança que eu tinha passei a trai-la desde o primeiro ano de namoro. Isso foi deteriorando a relação, ainda mais quando ela descobriu. Porém, o golpe final foi quando descobri fuçando o celular dela que desde o começo ela se correspondia com o ex em mensagens afetuosas (além do bom senso) e desde o último ano de namoro eles passaram a se encontrar, inclusive no exterior.
Brigamos, voltamos, mas a relação já estava cagada. E na verdade, por mais que ela tenha sido intensa, com boas recordações e aprendizados, desde o início eu estava mais envolvido que ela e não tentava compreende-la. Ela foi estudar fora e nunca mais nos vimos.
Ninguém gosta de ser rejeitado e amar demais é pior que amar de menos. No meu caso eu definitivamente amei demais, ela de menos. Por mais que isso soe estranho para um “Cafa”, pode acontecer.
Hoje, olhando pra trás, o que ela se apaixonou não foi pela minha pessoa em si, e sim pela situação, experiência e o completo oposto do que eu era em relação a ela. Obviamente que as minhas escapadas não ajudaram para que eventualmente eu conseguisse fazer com que algo mudasse. Inseguro eu fiz merda e ao invés de entender o problema, busquei uma não-solução, e a consequência foi cultivar uma relação sem futuro.
Escrevendo sobre essa história, lembrei-me de um vídeo do David Foster Wallace (é longo, mas vale a pena) que basicamente (bem basicamente) fala sobre como nossa forma (egoísta) de pensar faz com que não nos coloquemos no lugar dos outros e passamos a nos fazer de vítima do mundo.
Essa incapacidade de entender o outro não fez com que eu fosse rejeitado inicialmente, mas depois de anos de relacionamento. O que foi muito pior.