Antes de iniciar a história, gostaria de deixar claro que não faço aqui um papel de psicólogo, nem que a minha resposta seja a solução definitiva para os problemas amorosos. Mas uma vez que pedem a minha opinião, eu não vou ser politicamente correto e evitar assuntos polêmicos. Dou a minha impressão com base nas informações passadas, o que eu pego nas entrelinhas, e claro, com as experiências que possuo sobre relacionamento.
Vamos lá:
”Oi Cafa! Descobri seu blog no meio da minha adolescência e ele me ajudou muito na época. Hoje tenho 23 anos, casada há 5 anos e com alguns problemas.
Quando conheci meu marido, tava numa fase de pegação total. Tinha 18 anos e no segundo ano de faculdade. Mas quando o conheci me deslumbrei, foi amor à primeira vista
Cafa > Já falei isso em outra Sexta das leitoras e volto a repetir. Essa fase dos 18 aos 24 é uma das mais bacanas para curtição (como festas, relações casuais, etc). E no meu ponto de vista, fundamentais para a pessoa acumular experiência, estar mais madura para um relacionamento sério e não se arrepender depois de não ter vivido essa fase.
No seu caso, você interrompeu-a praticamente no início. Não apenas há certo arrependimento de não ter curtido mais, mas aos 18 você não tem maturidade suficiente para um plano de vida a dois e outras decisões mais sérias (como carreira).
Ele é 14 anos mais velho que eu, mas nunca me importei com isso, sempre me interessei por homens mais velhos. O cacei no facebook, joguei meu charme e consegui ‘laçar’ ele. Duas ‘ficadas’ depois me pediu em namoro, aceitei e cinco meses depois estávamos nos casando na Igreja de véu e grinalda e tudo que eu tinha direito. Após me casar larguei a faculdade e meu emprego para poder me mudar para a cidade dele. Atualmente trabalho com ele.
Cafa > Desculpe, mas tudo errado. Entendo que paixões possam ser avassaladoras, mas primeiro você, depois o resto. Paixão passa, a sua vida fica.
O cara está com a vida estabelecida, formado e com experiência/vivência. E você? Não é independente (ou melhor, agora depende indiretamente do cara), não se formou e largou o emprego pra viver em função de um amor.
Para um cara (que na época tinha 32 anos) casar-se com uma menina de 18 anos em 5 meses, a sua principal moeda de troca era a cama (e provavelmente um bom corpo). Só que isso não sustenta nenhuma relação.
No primeiro ano de casamento era as mil maravilhas. Não dizendo que hoje não seja, ele sempre faz tudo o que quero e me da de tudo também, mas em relação a nossa vida amorosa tá lá em baixo. Nos últimos anos posso contar nos dedos às vezes que tivemos relações sexuais, e beijos então nem se fala.
Cafa > Há um estudo que diz que a paixão (essa coisa carnal, de cama) dura até dois anos. Não é que depois disso cessa e ninguém mais transa, porém o que sustenta uma relação é o carinho, a admiração mútua e respeito. A frequência do sexo diminui, mas a qualidade aumenta. Creio que foi aqui que a sua relação começou a tropeçar, pois pelo visto ela sempre esteve calcada apenas na paixão.
Uma coisa me chamou a atenção na sua frase: “E me dá de tudo também”. Se a vida amorosa não está legal, entendo que esse “dar” esteja relacionado a bens materiais. Espero estar enganado, mas se for esse o sentido, não acho que é uma forma saudável de mensurar a qualidade de uma relação ou pessoa.
Estou tendo problemas para engravidar, então toda vez que estou ovulando eu falo com ele e fazemos sexo, mas parece que ele está ali só como doador de esperma, não sinto nada, e ele não parece à vontade essas vezes. Eu sei que é uma pressão e tal, mas é o único jeito. Não sei mais o que fazer com relação a isso. Faço jantar romântico, durmo com lingerie sexy, fico provocando ele, me jogo pra cima dele e nada. E quando eu pergunto a ele só diz que está cansado.
Cafa > Você não acha que está pisando muito forte no acelerador da sua vida? Você mal cursou a faculdade, saiu e foi casar. Você mal se casou, passou a enfrentar problema na relação e agora quer engravidar (com 24 anos). Não ficaria surpreso se daqui 4 anos você quisesse se aposentar.
Por que você não resolve um problema para não ter que cuidar de dois? Com um filho, a sua relação provavelmente vai piorar (já que a atenção será dividida com a criança).
Jantar romântico e lingerie sexy apimentam apenas a venda da revista Claudia. Vejo um problema e solução mais estrutural aqui.
Eu sei que ele não me trai, mas queria saber o que pode estar acontecendo. estou ciente que ele trabalha demais é do escritório para a fazenda e vice-versa. Mas isso cansa. Estou nova, com os hormônios à toda e não posso dar aquela ‘aliviada’ do jeito certo. Fico vendo minhas amigas todo final de semana com caras e indo para motéis, e fico com saudades dessa minha fase e com inveja delas. Já dormi com muitos caras e sinto falta à beça, será que to errada em ficar sentindo falta de outros caras??
Cafa > Claro que não, tu é nova, mas está errada de conduzir e encarar uma relação com uma miopia que raras vezes vi no blog.
Ai Cafa, por favor me ajuda! Me dê umas ideias pro meu marido voltar a ser o quer era, estou quase voltando a ser virgem de novo, rsrsrs. Sei que todo mundo pensa que casa para não ficar sem sexo, mas no meu caso está sendo o contrário.
Cafa > Pelos fatos apresentados, na minha opinião quem precisa mudar aqui é você, não o seu marido. Essa desculpa de “estar cansado” é a versão masculina para o “estou com dor de cabeça”.
Como eu disse, o cara te conheceu muito nova e por mais que você seja uma pessoa super agradável, o que chamou a atenção dele provavelmente foi o teu físico e sexo. E novamente, não sustentam relação no longo prazo.
Outra possibilidade menor, eu não vi sua foto, mas se ele casou com uma garota magra e nesses 4 anos você ficou obesa, isso também influencia na falta de apetite sexual. Porém, não me apegarei a esse fator, pois não tenho informação. Fica apenas como possibilidade.
As coisas aconteceram rápido demais. Cinco meses entre conhecer uma pessoa e se casar é pouco. Você mal conhece os defeitos, não teve convivência, não viu como é a rotina.
Talvez haja alguma qualidade que ele viu em você na época que se conheceram que agora não existe mais ou algum defeito que ele descobriu e tem o desgastado. Ela conheceu uma garota cheia de energia, que não estava próxima fisicamente, que tinha o seu emprego próprio e estudava; e agora tem uma esposa-funcionária que está o dia inteiro ao lado dele inovando no jantar para seduzi-lo. É uma mudança imensa.
Minha sugestão é que você segure um pouco essa ideia de ter filho até que a relação esteja melhor e termine a faculdade. Feito isso, seria bacana arrumar um trabalho que não seja com o cara. Você precisa desvincular-se um pouco dele, pois essa relação está mais para pai e filha que esposa e marido.
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Quer mandar a sua história para a sexta das leitoras? Não posso garantir que responderei todas, mas se for algo interessante e resumido, as chances aumentam. É só enviar para cafa@manualdocafajeste.com